quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Na cadeira de balanço

 "Por que você tem tantos livros?"

"Eu gosto muito de ler."

"Mas você já leu todos?"

"Não! Li boa parte, mas aqui tem alguns que são para consultas, alguns são livros de arte, mais para apreciar do que para ler. E há os que planejo ler em algum momento."

"Mas aí não seria melhor comprar quando fosse ler?"

"Talvez, se minha leitura fosse uma rotina, uma obrigação, mas a leitura para mim se aproxima mais de um ritual sagrado. Há quem vá à missa aos domingos, eu leio. Além do mais, o livro não é simplesmente o amontoado de palavras com um objetivo utilitário. Eu tenho prazer em manusear um livro, apreciar a qualidade da impressão, o prazer tátil e olfativo do papel, a arte das capas. De vez em quando compro um livro mesmo sabendo que não o vou ler naquele momento, mas me interessou aquela edição. Enfim, o prazer estético não está apenas na leitura, mas no livro como objeto de arte."

"Que estranho, não imaginava que alguém pudesse gostar anto de livros."

"Sim, minha família, tanto do lado paterno quanto do materno, tem uma relação especial com os livros. Meu avô paterno, um agricultor pobre do semi-árido nordestino da primeira metade do século 20, se dava o luxo de possuir livros. Um de seus filhos, meu tio João, gostava de contar que vovô passou seis meses lendo o livro Tarzan das Selvas e, finalizado, mais uns dois meses para recontar a estória. Acho isso fascinante. Vovô fazia poemas, tinha um caderninho onde os escreveu, perdido."

"Livro para mim eram os de literatura que a gente era obrigada a ler no ensino médio."

"Eu entendo, isso não permite que haja a formação de um vínculo com o livro. Para mim foi diferente. Me lembro, quando bem criança, morando um tempo na casa de meu avô materno, de manusear os livrinhos de faroeste de vovô, livrinhos pulp fiction que ele comprava num sebo em frente ao Cine São Francisco, em Patos. Achava fascinante aquilo. Mais tarde, adolescente, descobri que vovô gostava também de livros de detetive e passei a emprestar a ele os livros de minha coleção de Agatha Christie. Ainda tenho viva na memória a imagem dele lendo concentrado enquanto fumava o boró no quintal, sentado no batente de uma escada, ou na sala da casa, sentado numa cadeira de balanço, a perna direita cruzada sobre a esquerda. Alguns de meus livros ainda guardam manchas do fumo do boró."

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Ficção científica, transgênicos e o imaginário contemporâneo

Gosto de ficção científica desde antes de entender bem de que se tratava. Não consigo ver nenhum outro gênero que consiga dialogar tão bem com os conflitos do mundo moderno como a ficção científica e vejo com naturalidade que autores considerados "mainstream" lancem mão de recursos literários típicos desse gênero ao desejarem refletir sobre a atualidade e o futuro. Para mim, o exemplo maior disso é o livro The Road (A Estrada) de Cormac McCarthy, apesar de "uma faixa mais sofisticada da crítica" não aceitar que a obra de um autor canônico como McCarthy seja classificada como ficção científica. Bráulio Tavares, no clássico O que é Ficção Científica, reconhece que há muita coisa sendo classificada como ficção científica, o que o leva a considerar que o termo hoje é uma arca-de-noé, sob o qual se abrigam desde obras de fantasia frouxamente inspiradas na Ciência até obras chamadas de FC hard, onde se podem encontrar "racionalizações científicas convincentes".

Um autor que tem chamado a atenção pelo fôlego novo que inspirou no gênero é o engenheiro chinês Cixin Liu, com sua obra O Problema dos Três Corpos. Essa obra é amplamente considerada como ficção científica hard "com um forte componente filosófico e existencial". Não pretendo discutir os aspectos físicos e cosmológicos da obra, os quais fogem à minha compreensão mais profunda, mas abordar um pequeno trecho que me chamou particularmente a atenção. No enredo do livro há a menção a uma sociedade científica chamada Frontiers of Science, muito ligada aos eventos descritos. Um membro proeminente da Frontiers of Science é um biólogo chamado Pan Han: "Como biólogo, ele havia conseguido prever defeitos congênitos associados ao consumo prolongado de alimentos geneticamente modificados. Também previra os desastres ecológicos resultantes do cultivo de plantações geneticamente modificadas." Apesar de ter apreciado profundamente o livro de Cixin Liu, esse trecho específico me incomodou.

Entendo perfeitamente que alguém questione o uso de qualquer tecnologia por grandes corporações interessadas apenas em maximizar os lucros. Acho um absurdo que uma empresa tenha desenvolvido plantas transgênicas que levem ao aumento do uso de um agrotóxico ou outro produto desenvolvido por essa mesma companhia. Não há dúvida que isso inevitavelmente causasse uma recepção negativa da tecnologia, qualquer que fosse. Pior, o termo geneticamente modificado ficou indelevelmente associado a essa estratégia moralmente questionável de "venda casada". Pouca gente associa "plantas transgênicas" com os exemplos claramente benéficos que beneficiam ou têm o potencial de beneficiar inclusive pequenos agricultores e populações sob insegurança alimentar, como o feijão resistente a viroses ou o arroz dourado. Como gosto de pensar por mim mesmo e chegar a minhas próprias conclusões, não apoio conscientemente dogmatismos ideológicos. Vejo um grande potencial nos cultivos geneticamente modificados e na agricultura orgânica. Vejo um potencial ainda maior na combinação de ambos.

Considero que a qualidade das críticas hoje feitas aos cultivos geneticamente modificados é muito heterogênea: apesar de conter elementos científicos e preocupações socioeconômicas legítimos, há também componentes ideológicos que não se apoiam em evidências científicas. Ao contrário do que é afirmado, ficcionalmente, no livro O Problema dos Três Corpos, não existe evidência científica confiável de que alimentos geneticamente modificados aprovados pelos sistemas regulatórios sejam intrinsecamente mais perigosos à saúde humana do que seus equivalentes convencionais. Apesar de ter ressalvas quanto a esse trecho em particular, a obra de Cixin Liu fortalece minha impressão de que a ficção científica continua vigorosa e unicamente preparada para refletir sobre temas contemporâneos desafiadores como mudanças climáticas, colapso ecológico, degradação civilizacional e, como não, os rumos da agricultura.  

Ciência como visão de mundo

A Ciência é uma maneira de ver e interpretar o mundo. Uma maneira dinâmica e que se corrige a si mesma visto que a principal ferramenta com a qual se constrói o conhecimento científico, o método científico, prevê que uma afirmação científica deve ser feita a partir de dados coligidos por observações, controladas ou não, e que se houver dados mais robustos que desmintam ou desautorizem aquela afirmação, uma nova afirmação deverá ser feita. É o contrário da visão dogmática de outras formas de interpretação do mundo, em que um dogma é uma verdade inquestionável, sem se levar em consideração plausibilidade ou dados de observação. São raros os líderes religiosos que afirmam, como parece ter afirmado o atual Dalai Lama, que se a Ciência provasse que algo em sua visão religiosa estivesse errado, ele ficaria com a Ciência. Reconheço, no entanto, que cientistas podem ser dogmáticos em sua prática cotidiana. Uma amiga diz que esses são pesquisadores, não cientistas.

É frustrante que indivíduos firmemente agarrados a uma visão dogmática de mundo acusem alguém com uma visão científica e saudavelmente cética de ter uma mente estreita, já que a Ciência é falha e não consegue explicar tudo. Recentemente um grupo da Universidade da Califórnia em Irvine concluiu que a acupuntura, técnica tradicional da medicina chinesa, teria efeito positivo no controle da hipertensão por forçar o corpo humano a produzir substâncias opioides. Apesar de relatos positivos de pessoas próximas, mantive sempre uma relação de ceticismo com a acupuntura por nunca ter visto dados científicos que a comprovassem e por me sentir incomodado por expressões típicas do pensamento mágico como "centros de energia" e chakras. 

Ao tomar conhecimento da observação de efeitos positivos do tratamento sobre a saúde humana, não pela confirmação de noções ou entidades místicas, mas pela ativação de mecanismos fisiológicos perfeitamente explicáveis, não tive problema algum em reconhecer que meu ceticismo em relação à acupuntura estava equivocado e reavaliei meu julgamento anterior sem que minha visão de mundo sofresse nenhum abalo. A razão de meu ceticismo anterior pela acupuntura foi na verdade justificada pelas recentes descobertas - a explicação mística de um fenômeno real mostrou-se além de desnecessária, equivocada.

Alguns fenômenos, no entanto, sejam eles reais ou imaginados, são em sua própria natureza ditos místicos ou sobrenaturais. Para esses fenômenos, diz-se, a Ciência não tem competência para julgar ou avaliar sequer a veracidade.

Para alguns fenômenos afirma-se que a falta de comprovação científica se deve mais a uma lacuna metodológica ou conceptual, mas que com o avanço das técnicas analíticas inexoravelmente a Ciência terá como comprovar a veracidade. A homeopatia entraria nesse rol. Ora, ao contrário do que alguns pensam, não é apenas o fato de que com um simples cálculo pode-se comprovar que, nas diluições homeopáticas, nada reste, nem um átomo sequer, da substância originalmente presente que a desacredita. Segundo alguns, os efeitos imputados aos medicamentos homeopáticos se deve a uma ainda não comprovada memória da água. 

O problema não é que não se tenha comprovação da memória da água. A questão é que nenhum estudo conseguiu comprovar que os medicamentos homeopáticos tenham efeito. Pelo contrário, há evidências científicas fortes, baseadas em estudos robustos, de que a homeopatia simplesmente não funciona, tenha a água memória ou não. Ora, acreditar que algo exista mesmo sem que haja evidências dessa existência é fé. Pouco importam os fatos quando a crença é uma questão de fé. 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Ideias, hipóteses, teorias

Os textos do paleontólogo americano Stephen Jay Gould moldaram minha visão sobre o método científico e, acima de tudo, sobre o que constitui um bom texto de divulgação científica. Não gosto de esportes, mas o uso magistral de Gould de metáforas e explicações envolvendo o baseball quase me despertam a curiosidade sobre esse jogo. Sei que as ideias de Gould e mesmo alguns de seus textos são controversos. Entendo que não há consenso sobre algumas de suas interpretações e mesmo sobre alguns conceitos inovadores como exaptação e equilíbrio pontuado, mas não há melhor estilista da divulgação científica escrita do que ele. 

Nunca vou esquecer o prazer intenso de ler suas colunas mensais na revista do Museu de História Natural no último andar da saudosa biblioteca central da Universidade Federal de Viçosa. Só então entendi a importância do que eu estava fazendo como pesquisador em treinamento e do método científico como modelo de entendimento do mundo. Pelos textos de Gould, Darwin se tornou um ídolo pessoal, um deus no panteão da Ciência e o próprio Gould um dos principais heróis.

 Na coletânea de textos Ever since Darwin estão alguns dos melhores textos de Stephen Jay Gould, mas dois textos particularmente dialogaram com preocupações minhas. O primeiro, The validation of continental drift, fala sobre o ceticismo inicial da teoria da deriva continental e sobre a impressão, muitas vezes falsa, de que o conhecimento científico avança linearmente pelo acúmulo gradual de dados e que a aceitação de novas teorias dependeria unicamente da existência de dados apontando para sua validade. 

Gould argumenta que os dados geológicos que posteriormente dariam apoio à ideia da deriva continental já existiam mesmo quando a hipótese era vista com ceticismo, mas que havia uma lacuna teórica que impedia sua aceitação por cientistas considerados sérios: o mecanismo que explicasse como os continentes se moviam sobre a crosta terrestre. Resumidamente, ainda não existiam evidências claras que dessem suporte a uma outra ideia revolucionária - a de que a crosta terrestre está dividida em grandes pedaços chamados placas tectônicas. Gould argumenta que "fatos não falam por si mesmos" e que "novos fatos coletados sob a orientação de antigas teorias raramente conduzem a qualquer revisão substancial do pensamento" científico. É necessário um arcabouço teórico subjacente que confira coerência e permita a interpretação dos dados coletados.

Alguém poderia se apossar da interpretação de Gould e argumentar que certas afirmações ousadas ou interpretações heterodoxas de dados científicos são mal aceitos pela ausência de um arcabouço teórico que lhes dê coerência. O segundo texto da coletânea que me impressionou fala exatamente disso e demonstra que uma teoria não necessariamente valida uma hipótese, a qual pode estar simplesmente errada. O texto Velikovsky in collision narra como o psiquiatra Immanuel Velikovsky tentou "reconstruir a ciência da mecânica celeste para defender a acurácia literal de antigas lendas", principalmente relatos bíblicos e de outras tradições religiosas. 

A forma de ação interpretativa de Velikovsky é exatamente o oposto da da maioria dos cientistas atuantes. Enquanto um pesquisador sério verifica se sua interpretação dos dados coletados explicam a realidade observada, modificando a interpretação caso não expliquem, Velikovsky partiu de uma intepretação literal de antigas narrativas, considerando-as rigorosamente verdadeiras, e a partir disso "tenta encontrar alguma explicação física, por mais bizarra, que tornassem aquelas narrativas mutuamente consistentes e verdadeiras."

Inevitavelmente lembrei-me de algumas afirmações e hipóteses controversas dentro das Ciências Agrárias. Mais de uma vez me deparei com o argumento de que a dificuldade de comprovar experimentalmente certas afirmações não era porque estivessem erradas, mas por uma falha intrínseca do método científico. Muito bem disse Carl Sagan: "afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias". 

Ao constatar que suas hipóteses não eram sustentadas pelas leis de Newton, Velikovsky "propôs uma física fundamentalmente nova de forças eletromagnéticas agindo sobre corpos celestes", mais ou menos como a piada de que as pessoas flutuavam antes da "descoberta" da lei da gravidade. Tudo isso sem nenhuma evidência minimamente crível, quanto mais extraordinária. Por fim, Gould resume magistralmente seus argumentos ao afirmar que o reconhecimento de Galileu não se deve à perseguição que suas ideias sofreram, mas ao fato de que essas ideias estavam corretas.   

Expressa tuas próprias bobagens

Há mais de uma semana não escrevo. Leio, releio e nada. Aliás, ontem assisti uma excelente minissérie argentina intitulada Nada, com o ator Luis Brandoni, que adoro. O protagonista, um crítico gastronômico genial chamado Manuel Tamayo Prats, não parece se importar muito por ter perdido a inspiração de escrever nem por ter recebido dois adiantamentos de sua editora por um livro que não vem. Na série, assim como no filme Mi obra maestra, Brandoni interpreta artistas completamente cientes de sua dignidade e convencidos de que o mundo, ou pelo menos Buenos Aires, lhes deve refeições gratuitas e bons vinhos, no mínimo una grapita italiana deliciosa. Tanto Renzo Nervi quanto Manuel Tamayo Prats são artistas aristocráticos para quem a falta de dinheiro não impede que desfrutem os prazeres de que se consideram merecedores.

O que admiro em ambos os personagens é a completa independência intelectual e um desprezo irônico pela vulgaridade. O dinheiro parece ser, para ambos, o meio de conseguirem as coisas prazerosas da vida. Tenho a impressão de que a nenhum dos dois ocorreria a ideia de acumular la plata como se fossem vulgares capitalistas. Não há como não me lembrar de minha professora de História do ensino ginasial, dona Terezinha, explicando a diferença entre nobreza e burguesia e mencionando que, mesmo quando as empobrecidas famílias nobres davam suas filhas em casamento a burgueses enriquecidos, estes não se sentavam à mesa principal. A aristocracia estética de Tamayo Prats e de Renvi a penas suportava a presença necessária de mecenas ricos.

Apesar de desafiados pela modernidade, nenhum dos dois recai na vulgar reprovação do moderno simplesmente por se sentirem deslocados ou anacrônicos. Manuel acaba adquirindo um celular e Renzo tem relações com jovens discípulas. Claro, a continuidade temática não se deve à presença de Luis Brandoni, mas à direção de Gastón Duprat em ambos os filmes, provavelmente, mas Brandoni interpreta genialmente o tipo. Os dois personagens deveriam ser melhor desenvolvidos, necessariamente em uma obra escrita. Melhor, em duas obras, porque não caberiam os dois num só livro. Tenho a impressão que se achariam insuportáveis e arrogantes.    


domingo, 1 de fevereiro de 2026

O mundo governado por uma ideia

Dois fatos me levaram à decisão de voltar a escrever um blog: notei que estava me entregando cada vez mais ao scrolling, que considero uma forma de calar o pensamento e aniquilar a consciência; o surgimento dos LLM, aka Inteligência Artificial, facilitando a elaboração de pequenos textos para divulgação nas redes sociais e terceirizando a necessidade de usar o cérebro para escrever. Acho que é o começo do fim da inteligência humana. Não importa que esses textos escritos quase diariamente não tenham a mesma qualidade dos textos mais pensados, melhor elaborados. Pelo menos garanto que ainda sei escrever, ainda consigo expressar, por minha conta, o que quero comunicar. Perdida essa habilidade, o que resta? Tenho a impressão que cada vez menos gente pensa e que as pessoas pensam cada vez menos e de que essa é a verdadeira causa de muitos dos problemas que afligem a medíocre humanidade desse século XXI.

Procura-se o YouTube como fonte de opiniões. É uma armadilha insidiosa. O que deveria ser uma simples consulta acaba sendo uma infecção. O tão falado e pouco entendido algoritmo "experimenta" com quem cai na armadilha. "Observa" onde a presa clica mais, onde sua atenção permanece, estima o que a desagrada, evita o que tira sua atenção. Pouca gente tem gostos tão diversos que confundam o algoritmo ou o tornem inócuo. Acho que a efetividade do algoritmo só é possível pela enorme quantidade de vídeos existentes hoje na internet. É possível "sugerir" vídeos semelhantes, com as mesmas opiniões, quase indefinidamente. Isso certamente vai se tornar mais grave com a possibilidade de se gerar vídeos com IA. Meu incômodo não é simplesmente porque as pessoas têm se tornado cada vez mais monotemáticas e arredias a opiniões discordantes. O que é assustador é que a ação eficiente de uma entidade intangível, o algoritmo, esteja modificando o mundo.

As interpretações teóricas da História, até onde entendo, se baseiam na ação humana ou da natureza: a luta de classes, os imperativos ambientais, a força de grande personagens históricos. Hoje, parece-me, domina um agente histórico sem corpo, sem intenção moral, sem responsabilidade, praticamente sem existência. Claro, esse agente foi criado por inteligências e mãos humanas com pelo menos um objetivo claro: prender a atenção de consumidores potenciais, do que quer que seja. Mas duvido que os programadores do Algoritmo tivessem a mínima noção de que estivessem alternado a face do mundo e da História com seus códigos impessoais. Não há como não pensar no conceito de meme como formulado por Richard Dawkins no livro O gene egoísta - uma entidade auto-replicadora que pode ser considerada como uma estrutura viva. O mundo governado por uma ideia. 


Na cadeira de balanço

 "Por que você tem tantos livros?" "Eu gosto muito de ler." "Mas você já leu todos?" "Não! Li boa parte, ...